terça-feira, 26 de julho de 2016

Espectáculo de Homenagem a SEIVA TRUPE


A ESAP – Escola Superior Artística do Porto 
Vai na próxima quinta-feira, dia 28 do corrente apresentar em estreia, no 
MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA VITÓRIA /TNSJ
Pelas 21H00, o espectáculo 
A ÚLTIMA LIÇÃO
 a partir da Lição de Eugène Ionesco
 representado pelos finalistas da Licenciatura em Teatro.
Neste contexto, a Direcção do Curso, o Conselho de Direcção da ESAP, a Direcção da Cooperativa CES/CESAP e o colectivo do Curso de Teatro pretendem realizar uma cerimónia de agradecimento à 

SEIVA TRUPE 

pelo apoio prestado a alguns alunos em diferentes produções da Companhia, cujos licenciados participaram profissionalmente nas mesmas.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O ÚNICO MÉDICO RESIDENTE ( ? ) EM VILARINHO DA CASTANHEIRA

Decorridos 78 anos e no mesmo dia em que o Dr. Belarmino Augusto Cordeiro assinou um Contrato com a Casa do Povo de Vilarinho, 1 de Junho de 1938, assinalo esta data com a
publicação de uma breve biografia.
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Belarmino Augusto Cordeiro (Vilarinho da Castanheira, 24.10.1904, Senhora da Hora, 24.11.1995), casado com Maria de Lurdes Puga de Assis Cordeiro, pai de quatro filhos, licenciado em medicina em outubro de 1936, pela Faculdade de Medicina do Porto, registado em Carrazeda de Anciães em outubro de 1937, para o exercício de clinica em Vilarinho da Castanheira.

Em 1 de junho de 1938 assinou na qualidade de médico da Casa do Povo de Vilarinho da Castanheira, sendo o contrato outorgado pelo Presidente da Direção: Guilhermino Augusto Mesquita e pelo Presidente da Assembleia Geral: Albano Júlio Barbosa.

O referido contrato obrigava o clinico ao atendimento dos sócios do Fundo de Assistência e Caixa de Previdência no consultório da Casa do Povo, bem como á visita nos seus domicílios quando impossibilitados de se deslocaram à Casa do Povo. Obrigava ainda ao atendimento em qualquer dia e a qualquer hora a todos os que urgentemente precisassem dos seus serviços clínicos, abrangendo os residentes da povoação de Pinhal do Douro (anexa da freguesia).

A Casa do Povo obrigava-se a remunerar o médico com a quantia de (duzentos escudos) mensais e a pagar-lhe mais (um escudo) por quilómetro quando em serviço clinico aos sócios residentes em Pinhal do Douro.

Merece destaque a iniciativa dos responsáveis pela Casa do Povo, pelo serviço que prestaram aos seus conterrâneos, disponibilizando-lhes, em meados do século passado, serviços clínicos que a generalidade das nossas aldeias não possui nos nossos dias.

Não há conhecimento de em Vilarinho da Castanheira ter residido outro médico em serviço pelo que é de crer ter sido o único, onde exerceu durante 30 anos, abrangendo não só o Pinhal do Douro como outras povoações. designadamente Coleja, Mourão, Seixo, Fonte Longa e Cabeça Boa.

Tinha ainda "avenças" como médico das Quintas do Loubasim e dos Ingleses, junto ao Rio Douro.

Na falta de estradas serviu estas povoações a pé e a cavalo. Nunca teve viatura própria.

O seu êxito na realização de partos granjeou-lhe fama na região, alargando a sua atividade a outras povoações. Grande número dos nascituros desse período viu a luz do dia com a sua ajuda.

Com o seu trabalho ajudou a transformar a vida da aldeia, parada no tempo após a praga da filoxera.

As feiras passaram a ter mais movimento, e o comércio mais procura.

Justificou mesmo a instalação de uma farmácia na Vila.

Das aldeias vizinhas aproveitavam esse dia para consultar o médico e fazer compras no comércio local.
Vilarinho passou assim a ter uma animação e uma vida urbana como, provavelmente, só registou em séculos passados.

Foi um entusiasta da banda de música. Assistia com regularidade aos ensaios na Rua da Cadeia e com frequência levava consigo os filhos de tenra idade.

A extrema pobreza da maioria da população obrigou a uma emigração em grande escala.

Também o médico acabou por partir para se fixar em Ermesinde e mais tarde na Senhora da Hora, sua última morada.

Belarmino Augusto Cordeiro, provavelmente o único médico residente em Vilarinho, dedicou os melhores anos da sua vida aos seus conterrâneos, com zelo, profissionalismo e competência, melhorou as condições de vida das pessoas e favoreceu o desenvolvimento da sua terra. 
Faz parte da memória de Vilarinho da Castanheira. 




terça-feira, 31 de maio de 2016

Vilarinho da Castanheira - O 1º. e o último médico residente



O primeiro e o último médico residente em Vilarinho da Castanheira
Leal, qual bom transmontano,
Incapaz de esconder as manhas
(Mais parece um oceano)
Tais as fúrias são tamanhas!
É um dos versos do Livro V Ano Médico (1935/1936) dedicados a Belarmino Augusto Cordeiro, médico, lavrador e mais tarde marinheiro.
É assim a natureza dos transmontanos: Leais e generosos como o vinho do Porto; frontais e intempestivos como as devastadoras chuvas torrenciais que se seguem às trovoadas estivais do Nordeste Transmontano.
Foi o primeiro e o último médico residente em Vilarinho da Castanheira.
Além raízes familiares mantinha uma forte ligação a uma terra pobre e hostil.
Não lhe faltava trabalho. Faltavam-lhe os meios para educar quatro filhos.
As propriedades passaram a dar prejuízo para quem não as trabalhava. Chegou a oferecer todo o produto (trigo, centeio e milho) a quem fosse recolhe-lo. Ninguém aceitou.
Os trabalhadores que conseguiam umas jeiras trabalhavam de sol a sol e sem ver resultados. Passavam fome, sofriam, adoeciam e morriam sem esperança.
Os Ventos do Nordeste varreram grande parte da população.
Para sobreviverem e poderem educar os filhos partiram em debandada. Os destinos começaram por ser: Brasil e a França, mais tarde África e América do Norte.
Também o médico foi soprado pelos mesmos ventos.
Valeu-lhe a sua experiencia como médico de aldeia, distante do apoio dos laboratórios de análises clinicas que dispensam os médicos, do diagnóstico, do estudo dos sintomas do paciente. Esta especialização contribuiu para o êxito da sua atividade a bordo dos navios.
Também o uso de práticas caseiras o ajudaram a resolver situações crónicas dos marinheiros derivadas do abuso de medicamentos.
O enorme desenvolvimento da indústria farmacêutica, a pressão e os interesses económicos conduziram ao consumo alarmante de toda a espécie de drogas, desde as penicilinas aos psicofármacos, causando alergias e graves perturbações em situações que práticas caseiras, tão utilizadas pelos médicos de aldeia, resolviam com vantagem.
Navegou durante onze anos ao serviço da Companhia Nacional de Navegação a bordo dos paquetes: TIMOR, para Luanda, Lourenço Marques, Hong Kong, Macau e Timor Leste e PRINCIPE PERFEITO para a Ilha da Madeira e África.
Teve a seu favor os ares puros de Trás-os-Montes, a brisa dos mares da China e o fascínio do Oriente.  Foram os melhores anos da sua vida.

O MEL NEGRO.... E O MEL DOURADO.... DE MÃOS DADAS

«Nunca seriamos o que somos, se não tivéssemos um passado». 




















 D. Purificação Barbosa e neto Luís António





 

«......................................................
Vem sobre os mares,

Sobre os mares maiores,

Sobre os mares sem horizontes precisos,

Vem e passa a mão pelo dorso da fera,

E acalma-o misteriosamente,

Ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!



Vem, cuidadosa,

Vem, maternal,

Pé ante pé enfermeira antiquíssima, que te sentaste

Á cabeceira dos deuses das fés já perdidas,

E que viste nascer Jeová e Júpiter,

E sorriste porque tudo te é falso e inútil......................»

(Fernando Pessoa)