sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

VÁ AO TEATRO - CASA DAS ARTES - PORTO

AS CRIADAS, de Jean Genet - Co-produção Companhia de Teatro de Braga / Seiva Trupe


Genetialidade  
Como numa matrioska o texto dentro do texto dentro do testo, como numa história que se repete sem fim como duas irmãs devotas e humildes como numa cebola que se descasca como numa vida que se vive como o prazer de um serial killer como duas criadas que vestem gestos da patroa como que adrenalina que se experimenta como duas irmãs que treinam o ódio para atingir o indizível como numa aliança de sangue como num terço que se reza sem fim como que em voz baixa como duas irmãs curvadas como o cuspo que nos sai da boca como o escarro que se engole e nos aperta a goela como se vive a Liberdade como o suor duma penetração anal como um ranger de dentes num silêncio de gelo como um pedaço de carne que sai quente do forno e como entra à força na boca do corpo como se maquilha a Solidão como dois corpos se combatem como duas bocas se abrem como duas bocas se fecham como o tempo do silêncio como quando nada se escuta como a palavra: AMOR!
Rui Madeira
 


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

PEQUENO TRABALHO PARA VELHO PALHAÇO, de Matéi Visniec


PEQUENO TRABALHO PARA VELHO PALHAÇO, de Matéi Visniec (M/12)

“Hoje, ser ou não ser palhaço, eis a questão!”

Uma das portas mais célebres do teatro está presente na peça de Jean-Paul Sartre, Huis clos, traduzida entre nós, às vezes como, Entre quatro paredes ou Sem saída, escrita em 1944, marcada pelo existencialismo do autor, é conhecida pela frase O inferno são os outros, dita pelo personagem Garcin. No espaço ermo no qual esperam Vladimir (Didi) e Estragon (Gogo), não há portas, mas existe a atitude ineludível da espera. Beckett, Sartre e, porque não dize-lo, também Ionesco, parecem convocar-se neste cenário descrito pela literatura de Matéi Visniec.
Três palhaços velhos, que respondem a um pequeno anúncio de jornal, (talvez submetidos) a um casting derradeiro encontram-se para revisitar fragmentos das suas vidas, mas é a morte que paira sobre este universo circense que já não existe, que se dilui como o sabor açucarado de uma pastilha elástica nas bocas de espectadores aborrecidos…
A fantasia já não existe, a partir de agora como no mundo do Rei Lear, evocado em cena pelo palhaço Peppino, os bobos; “ dão vãs cambalhotas que não conseguem serenar as feridas do mundo…” o Mundo foi sempre uma roda, uma girandola no universo shakespeariano, e seguirá rodando num movimento louco e imparável até libertar-se de toda esta pequena humanidade que apela ao retorno do mundo da infância.
                                  Roberto Merino

FICHA ARTÍSTICA | TÉCNICA

Autor | Matéi Visniec
Tradução | Regina Guimarães
Desenho de Luz | Júlio Filipe
Figurinos| Luísa Pinto
Assistente de Encenação e Direcção de Cena | Teresa Vieira
Direcção| Roberto Merino

Interpretação |  Fernando Soares
                          José Cruz
                          Mário Moutinho
                          Luís Ribeiro
                          Manuel Vieira

Contra-Regra |  Manuel Vieira
Sonoplastia | Paulo Alexandre Jorge e César Sequeira
Efeitos Especiais | António Ribeiro
Operação de Luz e Som | Filipe Cardu
Apontamentos Cenográficos| Mestre José Lopes
Fotografia| António Alves

Até 29 de Janeiro
21H45 e domingos "matinées" às 16H00

Nos dias 20, 21 e 22 haverá música ao vivo, pelos JazzOrff Ensemble 

Informações e Reservas - 912 415 260 | teatro@seivatrupe.pt | marta.tavares@seivatrupe.
Ticketline: Ligue: 1820  (24 horas) | A partir do Estrangeiro ligue +351 21 794 14 00
Locais de Venda: www.ticketline.sapo.pt, Fnac, Worten, El Corte Inglés , C. C. Dolce Vita, Casino Lisboa, Galerias Campo Pequeno, Ag. Abreu, A.B.E.P., MMM Ticket e C. c. Mundicenter,  Fórum Aveiro,  U-Ticketline, C.C.B, Time Out Mercado da Ribeira, Shopping Cidade do Porto, Lojas NOTE, SuperCor – Supermercados e ASK ME

Texto e fotos: Seiva Trupe
 


terça-feira, 29 de novembro de 2016



PEQUENO TRABALHO PARA VELHO PALHAÇO
de
Mátei Visniec

Datas: 9, 10, 11, 16, 17 e 18 de Dezembro 2016
Local: Casa das Artes – Rua Rúben A, nº 210, Porto.
Horários: sextas e sábados às 21h45 | domingos às 16h00

Sinopse:
Três palhaços velhos, que respondem a um pequeno anúncio de jornal, (talvez submetidos) a um casting derradeiro encontram-se para revisitar fragmentos das suas vidas, mas é a morte que paira sobre este universo circense que já não existe, que se dilui como o sabor açucarado de uma pastilha elástica nas bocas de espectadores aborrecidos…
É neste sentido que cada um vai recordando factos e trabalhos, com a permanente preocupação de mostrarem que ainda têm tanto ou mais talento que naqueles tempos dourados. Neste espaço de espera vão emergindo episódios dramáticos e humorísticos numa realidade absolutamente patética.

Ficha Artística | Técnica:
Autor | Matéi Visniec
Tradutor | Regina Guimarães
Desenho de Luz | Júlio Filipe
Encenação| Roberto Merino
Assistente de Encenação | Teresa Vieira
Interpretação     |  Fernando Soares
                                José Cruz
                                Mário Moutinho
                                Luís Ribeiro
                                Manuel Vieira
Operação de Luz e Som | Filipe Cardu
Classificação Etária: M/12



Produção: SEIVA TRUPE
Fotos: Seiva Trupe

terça-feira, 22 de novembro de 2016

CASA DAS ARTES - PORTO - "Pequeno Trabalho Para Velho Palhaço"



"PEQUENO TRABALHO PARA VELHO PALHAÇO ",
de Matéi Visniec (M/12)
Em ensaios

- Casa das Artes | Porto -



"A simplicidade da linguagem é crucial para o entendimento do texto de Visniec, criando um contraste entre a simplicidade da escrita e a complexidade das ideias. As imagens são imediatas e directas pela sua simplicidade, instantaneamente captadas e visualizadas, permitindo que o espectador seja, inicialmente atingido pelas imagens e posteriormente, lentamente pela mensagem (...) Visniec conseguiu isto através de uma notável mistura de franqueza e ambiguidade. As personagens falam de uma forma simples e directa sobre os acontecimentos diárias das suas vidas, sem nunca procederem a uma auto-reflexão e psicanálise (...)" - Sharon E. Gerstenberger (tradutor)


Texto e fotos: Seiva Trupe


THEATRO CIRCO BRAGA - AS CRIADAS de Jean Genet



AS CRIADAS”, de Jean Genet
co-produção Companhia de Teatro de Braga e Seiva Trupe
- Theatro Circo de Braga -

“Estou-me nas tintas. Quis fazer peças de teatro. Cristalizar uma emoção teatral e dramática. Se as minhas peças servirem os negros, não me importa. De resto, não acredito nisso. Acho que a acção, a luta directa contra o colonialismo faz mais pelos negros que uma peça de teatro. E também acho que o sindicato do pessoal doméstico faz mais pelas criadas que uma peça de teatro. Procurei fazer ouvir uma voz profunda que os negros e as demais criaturas não conseguiram fazer ouvir. Um crítico disse que “as criadas não falam assim”. Falam assim. Mas só comigo e à meia-noite. Se me disserem que os negros não falam assim, responderei que ouviremos mais ou menos aquilo se encostarmos o ouvido ao seu coração. Temos de saber ouvir o que não está formulado.” Jean Genet

FICHA ARTÍSTICA

autor | Jean Genet

tradução | Eduardo Tolentino

                   Rui Madeira

cenografia | Acácio de Carvalho

encenação | Rui Madeira

assistente de encenação | Eduarda Filipa

elenco | Sílvia Brito

               Solange Sá

               Mariana Reis

figurinos | Manuela Bronze

desenho de luz | Nilton Teixeira

fotografia | Eduarda Filipa

 (M/14)
Texto: Seiva Trupe