domingo, 3 de janeiro de 2010

JÚLIO CARDOSO - ACTOR/ENCENADOR - I


O HOMEM DO ANO 2010


Conheci o Júlio Cardoso (Júlinho) e com ele convivi ao longo de toda a década dos anos cinquenta do século passado.

Nos anos sessenta vim para Lisboa, onde consegui o meu primeiro emprego e por cá fiquei até hoje.

Nunca perdemos o contacto e, embora à distância, acompanhei sempre, com grande orgulho, uma carreira de um verdadeiro autodidacta, feita a pulso, que nunca soube ser passivo, que nunca se resignou e como poucos soube explorar os seus dons, soube fazer-se, soube ter um papel decisivo na sua formação.

Sofreu na sua juventude.

Desde a sua infância, acompanhou sempre o sofrimento de sua mãe com aquele amor humano de quem sofre com os que sofrem, a recordar Dostoiewsky: «O sofrimento acompanha sempre uma inteligência elevada e um coração profundo».

Em termos profissionais ocorre-me um paradigma que caracteriza e define, quanto a mim, o verdadeiro artista:

Há alguns anos aguardava, no Fórum Lisboa, juntamente com uma dezena de presenças, a chegada do artista, para assistir a um breve concerto.

Qual não é o meu espanto quando, ao ver o “artista” assomar a uma das portas e ao deparar com o reduzido número de presenças, em lugar de se dirigir ao lugar destinado à sua actuação, colocou a guitarra ao ombro e saiu porta fora, sem qualquer explicação.

Naquele mesmo espaço, com semelhante número de espectadores, tive o prazer de ouvir Carlos Mendes.

Estou certo de que Júlio Cardoso, com um único espectador na sala não deixaria de lhe proporcionar o espectáculo.

Júlio Cardoso ousou destacar-se da alma colectiva na procura do humano, lutou, sofreu e venceu.

É, desde já, para mim e para todos os amigos que lhe conheço:
O HOMEM DO ANO 2010.


Mais um caso da vida real em: VENTOS DO NORDESTE
E também em: AZIMUTE.